Conheça um mundo de Toronto que muitos não irão ver: o difícil mundo do uso das drogas pesadas. Um fotógrafo canadense realizou um impressionante documentário que está em exposição até o dia 10.
Por falta de conhecimento, muitas pessoas veem de forma unidimensional o mundo dos usuários de drogas pesadas, como se esses fossem simplesmente “viciados”.
Querendo mostrar que o vício não é glamuroso e seus usuários são pessoas verdadeiras vivendo em um mundo assustador, o fotógrafo canadense Michael Willems acompanhou por vários meses o movimento de uma boca-de-fumo de Toronto. O resultado é a exposição IV-Intravenous, que está sendo exibida na galeria *new* até o dia 10 de maio.
De acordo com o fotógrafo, a idéia do documentário surgiu quando ele encontrou pessoas preocupadas com o assunto e as viu usando drogas. “Eu sei do que as drogas são capazes. Muitos amigos da minha época de estudante morreram.” – conta Willems em entrevista ao Oi Toronto. – “Pensei que poderia ajudar, influenciá-los de uma forma positiva, e documentar suas jornadas.”
Willems, que não é usuário de drogas, diz que sua passagem pela boca-de-fumo foi assustadora. “Eu ainda vejo tudo isso como um problema complexo e também muito triste.” Para Michael, o mundo do vício é um lugar em que a livre escolha não existe. Todos os momentos são consumidos pela necessidade de mais heroína e cocaína.
Das fotos da coleção, a que tem o maior significado para ele é uma em que um usuário está perto de uma pia injetando cocaína. “A pia está cheia de seringas e agulhas usadas”, comenta Michael.
Mesmo sendo um assunto controverso, o fotógrafo acredita que essa exibição não fala somente do pesado mundo das drogas, mas também do triunfo das pessoas que conseguem escapar dele. Segundo ele, as reações tem sido positivas sobre seu trabalho, “As pessoas dizem ficar emocionadas. Essa é uma história feliz, acima de tudo.”
Fotógrafo premiado
Michael Willems esteve em 32 países
Michael Willems é cidadão canadense nascido na Holanda, e já teve seus trabalhos publicados em jornais e revistas. Além de fotografar, ele também ensina sobre vários tópicos relacionados à fotografia. Um dos cursos é o Introduction to Travel Photography, que acontece na Henry´s School of Imaging.
O fotógrafo esteve em mais de 30 países de culturas diferentes. Das viagens que fez, a mais chocante foi a visita a Bagdá, em plena guerra Irã-Iraque – “É o tipo de loucura que um rapaz jovem tenta realizar. Claro que jovens são invulneráveis, então o perigo não me incomodou muito na época. Agora sou mais cauteloso.” – conta ele.
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